“Quem me dera ouvir de alguém a voz humana
Que confessasse não um pecado, mas uma infâmia;
Que contasse, não uma violência, mas uma cobardia!
Não, são todos o Ideal, se os oiço e me falam.
Quem há neste largo mundo que me confesse que uma vez foi vil?
Ó príncipes, meus irmãos,
Arre, estou farto de semideuses!
Onde é que há gente no mundo?”
Fernando Pessoa, em “Poema em
Linha Recta”
Nos meus últimos anos, eu tenho
ouvido constantemente criticas ao meu feitio e à minha personalidade… Mas quem
são as pessoas para criticarem? Quem são os demais para se sentirem donos da
razão?
Criticam por eu dar opinião,
quando me pedem que eu a dê, criticam o facto de eu ser fria em certas
situações, criticam as minhas atitudes vis, mas e vocês? Já pararam para pensar
que nem tudo é igual? Porque temos de ter um comportamento pré-definido
socialmente? Porque só somos “normais” se vestirmos certos tipos de roupas? O
que é para vós a normalidade? Qual é a piada de ser mais um igual no meio de tantos
iguais? Porque não deixar um pedacinho de nós no mundo, mesmo que seja por uma
simples diferença? Porque temos padrões pré estipulados? Porque rotulamos as
coisas? Porque é que rotulamos as relações?
E no meio de tanta regra e tantas
conveniências não passamos todos duns vândalos que temos tudo menos atitudes civilizadas.
Ou então a definição do conceito “ civilização” mudou e eu não dei conta.
Parece que isto não são dúvidas
só minhas, são dúvidas que já assombraram grandes mestres da escrita de tempos longínquos
e mais recentes.