É triste, muito triste, em pleno século XXI, desgraças destas acontecerem. Charlie Hebdo, não combatia as crenças políticas e religiosas de cada um, combatia sim as prisões do Homem. E não há prisão pior que a falta de liberdade para expressarmos aquilo que pensamos e que somos, a maior prisão é a nossa própria mente. A todos os escritores que por esta nobre causa morreram só tenho a dizer "vale mais viver um dia como leão, do que 200 como ovelha" ou como um dos próprios editores do Hebdo afirmou "é preferível morrer de pé do que viver de joelhos". 


"Liberté,  égalité, fraternité."

“Quem me dera ouvir de alguém a voz humana
Que confessasse não um pecado, mas uma infâmia;
Que contasse, não uma violência, mas uma cobardia!
Não, são todos o Ideal, se os oiço e me falam.
Quem há neste largo mundo que me confesse que uma vez foi vil?
Ó príncipes, meus irmãos,

Arre, estou farto de semideuses!
Onde é que há gente no mundo?”
Fernando Pessoa, em “Poema em Linha Recta”

Nos meus últimos anos, eu tenho ouvido constantemente criticas ao meu feitio e à minha personalidade… Mas quem são as pessoas para criticarem? Quem são os demais para se sentirem donos da razão?
Criticam por eu dar opinião, quando me pedem que eu a dê, criticam o facto de eu ser fria em certas situações, criticam as minhas atitudes vis, mas e vocês? Já pararam para pensar que nem tudo é igual? Porque temos de ter um comportamento pré-definido socialmente? Porque só somos “normais” se vestirmos certos tipos de roupas? O que é para vós a normalidade? Qual é a piada de ser mais um igual no meio de tantos iguais? Porque não deixar um pedacinho de nós no mundo, mesmo que seja por uma simples diferença? Porque temos padrões pré estipulados? Porque rotulamos as coisas? Porque é que rotulamos as relações?
E no meio de tanta regra e tantas conveniências não passamos todos duns vândalos que temos tudo menos atitudes civilizadas. Ou então a definição do conceito “ civilização” mudou e eu não dei conta.

Parece que isto não são dúvidas só minhas, são dúvidas que já assombraram grandes mestres da escrita de tempos longínquos e mais recentes.