As descrepâncias da Vida



Estou mais que habituada a que as pessoas me vejam como uma criatura fria e pouco transparente e ligeiramente insensível (estou em dúvida quanto ao advérbio utilizado, talvez devesse usar terrivelmente), isto é apenas o que tenho ouvido ao longo dos anos como caracteres descritores da minha personalidade. De facto, se calhar sou eu que quero dar essa imagem minha às pessoas para não me magoar tanto, para não me tornar tão íntima e confidente delas. Mas, sinceramente, acho que magoo mais sendo assim do que se não fosse.
Parece que tem fases que nada na minha vida bate certo. Parece que ando a naufragar nas ondas da vida. Que tudo está em direcção oposta àquilo que quero, inclusivé o soprar do vento. Parece que ando numa luta constante para me manter à tona da água e há sempre uma onda que me consegue derrubar.
No que me tornei? Como cheguei ao ponto de estar rodeada de pessoas e me sentir sozinha? É como se os indivíduos não passassem de mera decoração na minha pecinha de teatro de ordem dramática, que às vezes, a minha vida consegue ser. É como se as pessoas fossem os figurantes e eu fosse a actriz principal que passa metade da vida num monólogo interior, de luta constante a nível de pensamentos. Não sei como alguém me irá compreender se nem eu própria o consigo fazer. Se até a escrever um texto penso numa temática e acabo noutra completamente distinta.
Será que quem está a ler isto me está a compreender ou me está a definir apenas como mais uma maluquinha com o síndrome que a vida está toda errada? Será que alguém consegue ter a mesma linha de pensamento que eu, por mais irregular que esta seja?